
Passou aquele batom vermelho com um sorriso confiante de início de noite
Certamente tinha segundas intenções...
Suas segundas intenções não eram muito diferentes das de muitas mulheres daquela faixa etária.
Queria deixar marcas em um certo coração.
Gostava do impossível e isso causava preocupação e ao mesmo tempo irritava a melhor amiga
Quando a viu ele não pode deixar de esconder a vontade de possuí-la
Ela pediu um cigarro, não fumava com freqüência, mas era bom ocupar as mãos que, naquele momento, não paravam quietas em posição alguma...
Acendeu, meio desajeitada , aquele cigarro e o fumou com tragadas intensas... estava nervosa.
Era certo de que ele a beijaria, era certo de que ela corresponderia.
Mesmo assim estava nervosa
Perdidos em vãs conversas ficaram cerca de uma hora.
Seu batom já precisava de retoques, mas seria inútil retocá-lo já que em breve seus lábios iriam se perder nos dele.
Pensou em falar sobre o tempo, que naquele momento parecia se arrastar e quando pretendia lançar a mão de um assunto qualquer foi surpreendida com um beijo.
Ficaram por vários minutos se descobrindo, tocando-se com intensidade e ao mesmo tempo com uma delicadeza que a fascinava e a deixava mais envolvida naquela conquista mutua.
Não resistiu, nem quis resistir...se entregou a ele, pois o achava merecedor da sua intimidade.Gostou muito!
Dias se passaram... não conseguiu deixar as marcas que pretendia, não conseguiu o fazer ficar tão apaixonado a ponto de largar tudo por ela, não conseguiu viver um grande amor...
...mas no apartamento do rapaz, num canto da sacada, lá estava o cinzeiro com a ponta do cigarro e as marcas de seu batom vermelho.
Huanita Radke